terça-feira, novembro 25, 2008

"Cântico Negro"

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe
Não, não vou por aí!
Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
Sei que não vou por aí!

José Régio

Um presente e um obrigada....

domingo, novembro 23, 2008

Serenidade.

Quando nós decidimos mudar de vida não nos damos conta que acabamos de criar uma forte resistência, porque com esta maneira de pensar construímos o oposto.
Ele, o oposto, pode vir disfarçado de várias formas, como medo, insegurança, ou para se vencer obstáculos reais ou mesmo imaginários criados por nossa mente. Uma coisa é real, mudar significa vencer vários obstáculos. Um deles é o oposto que criamos quando desejamos ser outra coisa, no momento em que descobrimos novas verdades.
Todos nós somos assim. Dentro de nossa existência tem a pessoa que gostamos e outra, aquela que precisamos vencer, domar e tornar diferente. Ambas convivendo dentro de nós. Não há um ser humano que não viva em constante conflito entre o que quer ser e o seu oposto. Também não percebemos que, quando conseguimos vencer um obstáculo, automaticamente outros aparecem.
Chegamos no planeta nus. Encontramos roupas. Não existem problemas... criamos.
Assim é a vida e é desta forma que ela precisa ser encarada. Como uma caminhada e uma escalada ao mesmo tempo.
Quanto mais forte torno a minha determinação de mudar, mais forte ficam os obstáculos. Chamo isso de LEI DA FORÇA. O importante é encontrarmos serenidade para vencer estes obstáculos. Quanto menor a serenidade, mais forte fica a Força contrária. Mais forte é o oposto.
Assim, o sentimento mais importante que precisamos desenvolver no momento em que resolvemos mudar de vida é a serenidade. Com ela forte as adversidades se tornam mais aceitáveis e facilmente transponíveis.
Importante, portanto, desculpe repetir, é sabermos que a nossa decisão de criarmos uma nova vida gera, junto com a vontade de mudar, a força do oposto. Assim, é preciso encarar com muita abnegação de que maneira iremos nos posicionar.
O oposto, é fundamental ficarmos alerta, só existe depois que criamos o novo vetor de nossa mudança. Antes ele estava ali, adormecido e sem muita importância. Nada é importante até que se preste atenção nele.
As forças contrárias às vezes são deixadas de lado pela nossa vontade e interesse de chegarmos ao novo objetivo em nossas vidas. Não se trata de negligência. Trata-se de desconhecimento desta realidade.
Algumas pessoas, as mais fortes e determinadas, conseguem superar os opostos porque pouca importância lhes dão. Outras, as pessoas tidas como mais fracas, tendem a sucumbir frente às dificuldades, simplesmente afirmando: “É, eu sabia que não iria conseguir”...Uma coisa é certa e precisa ser vivenciada. Não é fácil mudar. Primeiro precisamos descobrir como. Na seqüência, enfrentar com determinação os obstáculos. E certamente prestar atenção no oposto gerado.O reposicionamento em nossa vida exige, como afirmei antes, mais serenidade do que possamos imaginar. Mas não podemos esquecer que também teremos que vencer o “sempre foi assim”.
Autor do livro: "O Despertar da Consciência "

quinta-feira, novembro 20, 2008

Receita tipicamente Alentejana!


Lebre com feijão branco

Para 4 pessoas

1 Lebre
½ quilo de feijão branco
2 cebolas médias
4 dentes de alho
Salsa
1 colher de sopa de banha
0,5 dl de azeite
2,5 dl de vinho branco
1 folha de louro
Sal e pimenta em grão
Põe-se de molho o feijão num recipiente em separado. Parte-se a lebre em pedaços e tempera-se com cebola e alhos, a salsa picada, louro sal, pimenta e vinho. No dia seguinte, a lebre vai para o tacho acompanhada dos respectivos ingredientes. Adiciona-se então a banha e o azeite e fica tudo a estufar em lume brando. Sempre que necessário, junta-se um pouco de água. Coze-se à parte o feijão só com sal. Depois de tudo cozido, junta-se o feijão e a lebre com um pouco do caldo, onde esta estufou, e deixa-se ferver em lume brando, durante dez minutos. Pode colocar-se no prato antes de servir, umas fatias de pão alentejano já duro.

E... Deliciem-se!!!!!!!!!!

sexta-feira, novembro 14, 2008

"VóVone"... O Natal chegou mais cedo :)

( Vone, lembra-se de Castro Verde assim? )
O Natal chegou mais cedo! :)
Hoje vou buscar a minha avó de 94 anos para passar o fim de semana conosco :)
Sem dúvida vai ser um fim de semana diferente!
Aturou-me tanto... por tantos anos e sempre muito intensos, fui tão feliz com ela!!!
Chegou a altura de retribuir e de fazê-la também um pouco feliz!
Sei que vai adorar, e nós também!
A VELHICE
"Para trás ficou uma vida activa, produtiva, geradora e criadora!
Vida que ganhou raízes e deu frutos. Para trás ficaram a adolescência, juventude, idade madura, amores, zangas, discussões e frustrações.Agora, a velhice é a visão sobre uma serena planície, sobre um vasto oceano, visão sobre os mais longínquos horizontes que não se vêem, mas que se adivinham. É um tempo de reflexão e revelação por palavras; negativos dos factos do filme da vida.A velhice já não é mais o ter de andar, o ter de trabalhar, não. A velhice é só mais um tempo de, na vida, estar e esperar, de viver, tendo mais certezas do que falta acontecer. A velhice é uma cor que vai ficando desbotada.Foi-se a firmeza da cor da juventude. Muitos sóis, muitas águas passaram e sempre mais um pouco da força e do vigor levaram.A velhice não tem princípio definido, mas começa, talvez, quando alguém nos chama avô pela primeira vez. Aí sim, rapidamente vem a constatação que já não se pode correr e acompanhar o traquino do neto ou neta.Nas vinte quatro horas do dia sobram mais horas para a cadeira, porque o corpo, então já um pouco cansado, aprecia mais o descanso de estar sentado. Já não sente nem tem tantas canseiras. É já tempo de largas conversas, muitas vezes repetidas; cenas do filme da vida, que são recordadas.
A velhice tem a ciência de teleguiar a vida dos mais novos. São realizadores que não mais participam nos seus próprios filmes, mas sabem de belos cenários, contam belas histórias e ajudam, sim, oh! se não ajudam! os netos e os mais jovens a sonhar. De velho se torna a menino! Quantos sonhos que na juventude foram eternamente adiados e são agora perseguidos para se tornarem numa realidade concreta? Chamam-lhe “hobbies”, mas entretêm ricos e pobres.
Na velhice, além do corpo, é importante alimentar o espírito, e todos as antecedentes idades sabem que a velhice é uma experiente crítica e sabedora de muitas verdades.A velhice não é um tolice! É um sótão onde se guardam lembranças de pensamentos e brincadeiras de infância e de juventude. Na velhice fazem-se poucas asneiras e ganham-se virtudes. Já não se corre na auto-estrada da vida, mas sim pela sua berma.
A velhice sabe que quem corre pela pista da vida chega sempre ao fim da corrida. Depois, vem o tempo de longas conversa, sem pressas.
Afinal, a velhice não é uma chatice! "
Autor: Silvino Taveira Machado Figueiredo
Retirado do Blog "Figas de Saint Pierre de La Buraque"

quarta-feira, novembro 12, 2008

Hoje está... Lua Cheia!!!!!!!!!!

Mesmo que a vida nos obrigue a seguir caminhos diferentes, que os sonhos caíam por terra, conforta-me olhar a Lua Cheia e saber que em qualquer parte, de qualquer janela, a Lua será sempre em comum.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Dia de São Martinho!

Lenda de São Martinho
"Martinho nasceu no ano de 316, em Sabária ( actual Hungria ). O seu pai era soldado do exército romano e deu-lhe uma educação cristã. Aos 15 anos Martinho foi para Itália e alistou-se no exército Romano, tornando-se mais tarde num general rico e poderoso.
Um dia de regresso a casa, cavalgava debaixo de forte tormenta. A chuva e o granizo caíam copiosamente, o vento, furioso, uivava e o frio parecia esmagar os ossos... Numa curva do caminho, deparou com um mendigo que, quase nu, se confundia com os troncos mirrados e enegrecidos da beira da estrada. Este, estendia um braço descarnado em busca de algum auxílio que o salvasse de uma morte certa.
O general, de coração apertado por tamanha desgraça, apeou-se do cavalo e passou a sua mão carinhosamente pela do pobre. Em seguida, desprendeu a espessa e quente capa que o protegia e, com um golpe seguro de espada, dividiu-a em duas partes. Estendeu uma das metades ao mendigo e agasalhou-se o melhor que pode com a restante...
Apesar de mal agasalhado e a chover torrencialmente, Martinho continuou o seu caminho, cheio de felicidade... Então, o bom Deus , ao presenciar este gesto, fez desaparecer a tempestade. O céu ficou límpido e surgiu um sol de estio, cheio de luz e calor. Nos três dias que ainda durou a viagem, um Sol radioso acompanhou o general .
É assim que todos os anos, em Novembro, somos presenteados com, pelo menos, três magníficos dias de Sol , para que a memória dos homens, tantas vezes curta não se esqueça do desinteresse do gesto que salvou a vida ao mendigo. - É o Verão de S. Martinho."

Feliz Dia de São Martinho com muitas castanhas e... Água Pé!!! :-)

domingo, novembro 09, 2008

Sorria!


Ei!
Sorria... Mas não se esconda atrás desse sorriso...
Mostre aquilo que você é, sem medo.
Existem pessoas que sonham com o seu sorriso, assim como eu.
Viva!
Tente!
A vida não passa de uma tentativa.
Ei!
Ame acima de tudo, ame a tudo e a todos.
Não feche os olhos para a sujeira do mundo, não ignore a fome!
Esqueça a bomba, mas antes, faça algo para combatê-la, mesmo que se sinta incapaz.
Procure o que há de bom em tudo e em todos.
Não faça dos defeitos uma distancia, e sim, uma aproximação.
Aceite!
A vida, as pessoas, faça delas a sua razão de viver.
Entenda!
Entenda as pessoas que pensam diferente de você, não as reprove.
Ei!
Olhe... Olhe a sua volta, quantos amigos...
Você já tornou alguém feliz hoje?
Ou fez alguém sofrer com o seu egoísmo?
Ei!
Não corra.
Para que tanta pressa?
Corra apenas para dentro de você.
Sonhe!
Mas não prejudique ninguém e não transforme seu sonho em fuga.
Acredite!
Espere!
Sempre haverá uma saída, sempre brilhará uma estrela.
Chore!
Lute!
Faça aquilo que gosta, sinta o que há dentro de você.
Ei!
Ouça...
Escute o que as outras pessoas têm a dizer, é importante.
Suba...
Faça dos obstáculos degraus para aquilo que você acha supremo
Mas não esqueça daqueles que não conseguem subir.
Ei!
Descubra!
Descubra aquilo que há de bom dentro de você.
Procure acima de tudo ser gente, eu também vou tentar.
Ei!
Você...
Não vá embora.
Eu preciso dizer-lhe que...
Te adoro, simplesmente porque você existe.

Charles Chaplin

Grande Zeca!!!

Vejam bem que não há só gaivotas em terra
quando um homem se põe a pensar
quando um homem se põe a pensar

Quem lá vem
dorme à noite ao relento na areia
dorme à noite ao relento no mar
dorme à noite ao relento no mar

E se houver
uma praça de gente madura
e uma estátua
e uma estátua de de febre a arder
Anda alguém
pela noite de breu à procura
e não há quem lhe queira valer
e não há quem lhe queira valer

Vejam bem
daquele homem a fraca figura
desbravando os caminhos do pão
desbravando os caminhos do pão

E se houver
uma praça de gente madura
ninguém vem levantá-lo do chão
ninguém vem levantá-lo do chão

Vejam bem
que não há só gaivotas em terra
quando um homem
quando um homem se põe a pensar

Quem lá vem
dorme à noite ao relento na areia
dorme à noite ao relento no mar
dorme à noite ao relento no mar.

"Venham Ver"
Zeca Afonso
(Há muitos dias em que acordo assim... acordo em Paz!)

terça-feira, novembro 04, 2008

Para sempre...


"All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you

I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
Yeah you do and I was made for you

You see the smile that's on my mouth
Is hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what I've been through like you do
And I was made for you...

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you."

The Story
Brandi Carlile


segunda-feira, novembro 03, 2008

Quanta água tem uma lágrima?



"Quero fazer o elogio do amor puro.

Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito.
Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante
psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem.
A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível.
O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores.
O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor.
A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima.
O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente.
O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.
Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra.
A vida dura a vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira.
E valê-la também. "
Miguel Esteves Cardoso